quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Opinião Agroecológica


Utilização de pó de rocha:
A importância do conhecimento dos processos para uma agricultura sustentável

Por Wantuelfer Fernandes Gonçalves

Primeiramente, gostaria de esclarecer que este texto não tem a intenção de apresentar nenhuma técnica sobre o assunto, e sim tecer considerações sobre este importante tema. Vale ressaltar que esta temática tem sido objeto de diversos estudos e experimentações e que muitas vezes é apresentada aos agricultores como a salvação da lavoura para aqueles que pensam na agricultura como uma atividade que pode ser desenvolvida em harmonia com o ambiente. Veremos que não é bem assim, as técnicas não podem suplantar o conhecimento.

A utilização do pó de rochas na agricultura não é uma coisa nova. Na história da agricultura diversas civilizações fizeram uso dessa técnica, porém, acabou-se a colocando em segundo plano com a entrada dos fertilizantes sintéticos de alta solubilidade. Porém, hoje com o surgimento de um novo nicho de mercado, diversos agricultores têm buscado técnicas de cultivo para que seus produtos sejam considerados sustentáveis. Neste sentido, a utilização desse material tem se tornado bastante atrativo para alcançar este objetivo. Dessa forma, novos estudos têm surgido nessa área, e muito tem se trabalhado para se descobrir novas rochas passiveis de serem utilizadas em processos produtivos mais equilibrados.

A utilização de pós de rocha na agricultura em si não é um problema, como já foi dito, pois não é uma técnica nova e não tem se mostrado danosa. Porém, uma consideração tem que ser feita em relação às técnicas novas de agricultura introduzidas pela revolução verde. É sabido que as novas formas de se fazer agricultura não mudaram apenas os insumos utilizados, tendo mudado inclusive a forma de se cultivar. Isso implica dizer que o produtor, para utilizar essa técnica não pode apenas conhecer a composição e as propriedades nutricionais deste material. Ele deve compreender o comportamento ecológico da biomineralização (o nome desta técnica). Não se pode substituir o adubo de alta solubilidade por esta técnica, pois ela não serve para adubar culturas. Sua utilização deve ser feita para recuperação e manutenção do estado nutricional do solo, e não da cultura. Duas justificativas para se pensar desta forma são de que a disponibilização dos nutrientes presentes no material se faz de forma muito mais lenta do que nos adubos de alta solubilidade, além do que as rochas (com suas propriedades específicas) são recursos exauríveis, e a sua moagem requer um desprendimento muito grande de energia, de forma que esta não é uma ferramenta sustentável.

Pensando dessa forma, devemos sempre nos preocupar com as técnicas agrícolas que aparecem, e nunca tentar isolar apenas um fator para justificá-la. Devemos procurar conhecê-la, e conhecer também suas relações ecológicas em curto e longo prazo.