domingo, 22 de maio de 2011

Opinião



ILPF + S!

Por Bruno Toribio Xavier


Surge mais uma tecnologia que promete potencializar a pecuária leiteira na Zona da Mata Mineira, a Integração Lavoura Pecuária Floresta. De fato é mesmo uma tecnologia promissora, que tem devolvido ao produtor rural o direito de sonhar com uma produção bem mais remunerada, uma vez que, com a devida orientação técnica tem-se a possibilidade de organizar sua propriedade e suas operações agrícolas, visando um lucro maior e por que não dizer a conservação dos recursos naturais. Com a participação da Embrapa Gado de Leite, estes produtores rurais estão cada vez mais imbuindo-se da idéia que precisam tornam-se Empresários do Setor Agropecuário.

Tudo isso estaria perfeito se a base desta tecnologia não preconizasse em demasia, na nossa opinião, uma elevada dependência de insumos externos a propriedade, a saber: herbicidas, adubos químicos e mudas de espécies exóticas (na maioria dos casos eucalipto), sendo estas últimas componentes do F da sigla ILPF, ou seja, floresta.

O aumento da produtividade das propriedades tem sido observado com a adoção desta tecnologia, mas poderia ser também um aumento na sustentabilidade desses agroecossistemas. A substituição dos herbicidas para o manejo das plantas espontâneas, o cultivo de espécies nativas no lugar do eucalipto e a adoção da homeopatia para controle dos carrapatos nos animais são algumas das sugestões que incorporariam o S de sustentabilidade na sigla desta tecnologia. 

Pensar em sustentabilidade no desenvolvimento das atividades agropecuárias é mais do que uma necessidade. Da forma atual, a ILPF não é uma tecnologia ruim, apenas, em nossa opinião, precisa ter incorporadas em suas práticas, formas de diversificar ainda mais a propriedade para alcançar a pretensa sustentabilidade. Saldo positivo mesmo só na proteção do recurso natural solo e quando os Empresários pensam na qualidade do leite ao substituir os antibióticos e carrapaticidas pelos preparados homeopáticos.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Abertas inscrições para o mestrado em Agroecologia na UFV

19/05/2011 - Abertas inscrições para o mestrado em Agroecologia na UFV
Estão abertas, até o dia 10 de junho, as inscrições para o processo seletivo do segundo semestre de 2011 do recém-criado Programa de Pós-Graduação em Agroecologia da Universidade Federal de Viçosa. O curso é oferecido em nível de Mestrado e iniciará suas atividades com conceito 4 da CAPES. As atividades do Programa terão início em agosto de 2011.

O Programa de Pós-Graduação em Agroecologia possui uma Área de Concentração (Agroecologia) e três Linhas de Pesquisa:

Manejo de agroecossistemas tropicais

Sistemas agroalimentares de agricultores familiares

Recursos em agroecossistemas e entorno

Mais informações no site: https://sites.google.com/site/posgraduacaoagroecologiaufv/linhas-de-pesquisa

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A tragédia de Santa Catarina: obra divina ou ação humana?

  Por Maurício Novaes Souza
               
               No Estado de Santa Catarina aconteceu no mês passado o maior desastre ambiental da natureza que atingiu a sociedade brasileira neste século. As notícias sobre os episódios relatam um nível de precipitação pluviométrica acima da média histórica, os deslizamentos de encostas, o extravasamento dos rios do seu leito natural, a destruição de estradas, o soterramento e a inundação de cidades e fazendas, perdas humanas e materiais com prejuízos de centenas de milhões de reais. Comovida, a população de vários estados se mobilizou no sentido de levar ajuda e apoio às vítimas. 
Após o incidente, tentam procurar quem são os culpados: a natureza e suas mudanças climáticas ou o homem? Na verdade, o desmatamento da Mata Atlântica e a sua ocupação de forma irregular contribuíram para a tragédia geológica que, em função das chuvas em proporções jamais vistas, abateu-se sobre a população de várias cidades de Santa Catarina. Na verdade, tanto nesse local, como na maioria das cidades e regiões brasileiras, inclusive na Zona da Mata Mineira, as áreas de matas vêm sendo substituídas por áreas urbanizadas que impermeabilizam o solo e impedem a infiltração de água; e por vegetação rasteira, como as pastagens, que em sua maioria se encontram degradadas, ambos contribuindo para a aceleração dos processos erosivos. Dessa forma, deslizamentos de terra inevitavelmente irão ocorrer, sendo apenas uma questão de tempo. No caso de Santa Catarina, as fortes chuvas desses dois meses, apenas aceleraram o processo.
Considerando a região de Mata Atlântica, na época do descobrimento a floresta cobria uma área de aproximadamente 1,29 milhão de quilômetros quadrados, em 17 estados brasileiros, incluindo Santa Catarina. O Bioma ocupava cerca de 15% do território nacional. Atualmente, apenas 6,90% desse total permanecem relativamente protegidos em áreas de preservação permanente, de reserva legal ou em Unidades de Conservação.
O desmatamento da Mata Atlântica está diretamente ligado à expansão das cidades brasileiras, onde a sua ocupação tem sido sempre realizada de forma desordenada: outro fator que pode explicar a catástrofe na região do Vale do rio Itajaí. Tais fatos ocorrem sempre com a histórica, acomodada, omissa e conivência dos agentes sociais públicos e privados, que a poderiam ter evitado. No caso do Vale do Itajaí, SC, que foi a região mais afetada, as primeiras residências na região surgiram em meados do Século XIX, com a chegada dos europeus, que se instalaram próximos aos rios e, no Século XX, passaram a ocupar os morros e as encostas. Tal fato se repetiu no Rio de Janeiro, em Vitória, em Ubá, ou seja, total ausência de planejamento municipal. O poder público só começa a se preocupar quando não existem mais alternativas viáveis, em face ao crescimento populacional e expansão urbana; ou fazem planos emergenciais e promessas, em caso de grandes tragédias, como esta de Santa Catarina.
A solução definitiva está na retirada das pessoas dessas áreas de encostas e margens de rios ocupadas irregularmente, transferindo-as para locais seguros. A questão do planejamento urbano é muito séria, principalmente quando se consideram as questões sociais, ou melhor, o caos social vislumbrados nas cidades de médio e grande porte. Onde se enquadram os movimentos ambientais nesse cenário? E o Ministério Público e do Meio Ambiente? São milhares de pessoas e de funcionários de alta competência, carros preparados para enfrentar florestas e áreas alagadas, recursos tecnológicos, mas que nesses momentos pouco resolvem. Toda a questão está na prevenção e na gestão. Infelizmente, sabemos que muitos outros trágicos eventos como estes surgirão e comoverão a população: será que são necessárias novas ocorrências para que as autoridades tomem as medidas necessárias?
Enfim, mesmo considerando a influência do componente natural que ocorre nessa época do ano, suas conseqüências mais graves poderiam ser evitadas com as modernas técnicas de previsão meteorológica. A diferença dos eventos ocorridos neste ano se deve à intensidade do fenômeno climático, com gravidade superior aos eventos anteriores. A degradação da natureza atua em sinergia negativa com o desmatamento e a poluição do ar, dos rios e dos oceanos, afetando os ciclos biogeoquímicos da água e do carbono. Assim, as mudanças das classes de uso do solo e as mudanças climáticas magnificam tais impactos. Há de se considerar que Santa Catarina é o estado campeão na destruição do Bioma mais destruído do País – a Mata Atlântica.
               O fato que se deu foi extremamente triste, não apenas para a população diretamente afetada, mas para toda a população brasileira. A lição que se devem extrair destes fenômenos é que eles não são apenas naturais. O ser humano deve olhar para si mesmo e questionar as práticas baseadas nas ações irracionais de destruição das encostas e agressão aos ecossistemas aquáticos, com a construção de rodovias, avenidas marginais, prédios de apartamentos, condomínios de luxo ou populares e “shoppings” comerciais. Estas ações causam desastres irreparáveis, inclusive ceifando vidas humanas. Devemos refletir sobre a necessidade urgente de abandono às concepções anacrônicas ligadas à produção e ao consumo, adotando a sustentabilidade sócio-ambiental nas ações públicas e privadas, em todos os níveis, do local ao global. Essas são as propostas do modelo guiado pelos princípios do “Desenvolvimento Sustentável”.

* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas, Economia e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo pela UFV. É professor do CEFET - Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É consultor do IBAMA e Conselheiro do COPAM da Zona da Mata, MG. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Opinião Agroecológica

Conservação da vida no solo

Por Renata Bonfá Benevenuto

            A conservação do solo, nada mais é do que cuidar do solo de maneira com que este possa ser aproveitado, utilizado e manejado de uma forma menos agressiva possível. Para isso, não é necessário apenas saber utilizar as práticas de conservação, é importante também, que se tenha conhecimento dos processos que caracterizam um solo sadio e em um solo não sadio.

            A vida no solo é bem diversificada, o que nos dá a segurança de afirmar que o solo é um organismo vivo. Uma parte dos animaizinhos que habitam o solo, e que o fazem ser vivo, é chamada de microrganismos. Existem também seres que compreendem organismos grandes, pequenos e muito pequenos e eles sobrevivem de raízes e restos vegetais e animais que se encontram em processos de decomposição.

            Esses microrganismos são muito importantes para a vida e saúde do solo e das plantas. Algumas práticas utilizadas por muitos produtores, dentro da agricultura convencional, causam a morte dos solos, levando a ocorrência nestas áreas de processos erosivos de diferentes graus. Alguns exemplos de processos que podem levar a processos erosivos são: utilização de agrotóxicos, capinas periódicas profundas, queimadas, retirada de coberturas vivas e materiais orgânicos, pisoteio constante de animais, etc., tudo isso contribui para uma alta mortalidade de vida no solo e um enorme desgaste deste recurso natural que leva a sérias conseqüências.

            É importante manter a vida do solo, fazendo com que as práticas de conservação adotadas sejam apenas de prevenção e não de correção de processos mais complexos de degradação.

            Para que essa vida do solo permaneça sempre em bom estado, é necessário que haja a conservação da matéria orgânica presente no solo, realização de roçada ao invés de capinas, além de deixar o solo sempre com diversidade de plantas e cobertura vegetal.

            Com simples cuidados, a vida do solo pode ser conservada, e tudo o que necessita e sobrevive dele terá bons resultados.


Para citar este artigo:


BENEVENUTO, R. B. Conservação da Vida no Solo. Disponível em:< http://praticasconservacionistas.blogspot.com/2011/05/opiniaoagroecologica.html>. Acesso em 16 de mai. 2011.

Monitora da Disciplina

Meu nome é Renata, estou cursando o 5º período do Bacharelado em Agroecologia. Fui monitora por dois semestres consecutivos no setor de Agricultura trabalhando no Preparo e Utilização de Caldas e Biofertilizantes. Além do Bacharelado em Agroecologia, estou cursando o 2º ano do curso Terapeuta Homeopata pela UFV.

Estou a disposição para eventuais dúvidas e sugestões.