quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Opinião Agroecológica


Utilização de pó de rocha:
A importância do conhecimento dos processos para uma agricultura sustentável

Por Wantuelfer Fernandes Gonçalves

Primeiramente, gostaria de esclarecer que este texto não tem a intenção de apresentar nenhuma técnica sobre o assunto, e sim tecer considerações sobre este importante tema. Vale ressaltar que esta temática tem sido objeto de diversos estudos e experimentações e que muitas vezes é apresentada aos agricultores como a salvação da lavoura para aqueles que pensam na agricultura como uma atividade que pode ser desenvolvida em harmonia com o ambiente. Veremos que não é bem assim, as técnicas não podem suplantar o conhecimento.

A utilização do pó de rochas na agricultura não é uma coisa nova. Na história da agricultura diversas civilizações fizeram uso dessa técnica, porém, acabou-se a colocando em segundo plano com a entrada dos fertilizantes sintéticos de alta solubilidade. Porém, hoje com o surgimento de um novo nicho de mercado, diversos agricultores têm buscado técnicas de cultivo para que seus produtos sejam considerados sustentáveis. Neste sentido, a utilização desse material tem se tornado bastante atrativo para alcançar este objetivo. Dessa forma, novos estudos têm surgido nessa área, e muito tem se trabalhado para se descobrir novas rochas passiveis de serem utilizadas em processos produtivos mais equilibrados.

A utilização de pós de rocha na agricultura em si não é um problema, como já foi dito, pois não é uma técnica nova e não tem se mostrado danosa. Porém, uma consideração tem que ser feita em relação às técnicas novas de agricultura introduzidas pela revolução verde. É sabido que as novas formas de se fazer agricultura não mudaram apenas os insumos utilizados, tendo mudado inclusive a forma de se cultivar. Isso implica dizer que o produtor, para utilizar essa técnica não pode apenas conhecer a composição e as propriedades nutricionais deste material. Ele deve compreender o comportamento ecológico da biomineralização (o nome desta técnica). Não se pode substituir o adubo de alta solubilidade por esta técnica, pois ela não serve para adubar culturas. Sua utilização deve ser feita para recuperação e manutenção do estado nutricional do solo, e não da cultura. Duas justificativas para se pensar desta forma são de que a disponibilização dos nutrientes presentes no material se faz de forma muito mais lenta do que nos adubos de alta solubilidade, além do que as rochas (com suas propriedades específicas) são recursos exauríveis, e a sua moagem requer um desprendimento muito grande de energia, de forma que esta não é uma ferramenta sustentável.

Pensando dessa forma, devemos sempre nos preocupar com as técnicas agrícolas que aparecem, e nunca tentar isolar apenas um fator para justificá-la. Devemos procurar conhecê-la, e conhecer também suas relações ecológicas em curto e longo prazo.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Texto básico de Educação Ambiental para TODOS os níveis*

                                                                                 Por 
Biólogo João Luís de Abreu Vieira




A Educação é a base para o desenvolvimento de um país, pois através dela as pessoas têm subsídios para exigir seus direitos e cumprir os seus deveres, ou seja, as pessoas têm condições de desempenhar o seu papel de cidadão. É a participação cidadã que surge como "mola-mestra" na solução dos problemas ambientais e na proposta de conviver em sociedade e com a natureza. E a participação pode se dar nos mais diversos níveis: no caso da participação em relação à resolução dos problemas ambientais, ela é a principal das profundas transformações que estão ocorrendo para assegurar a convivência democrática, sustentável e harmônica dos seres humanos entre si e com o ambiente.

Nesse processo, a Educação Ambiental entra não somente como uma passagem de informações - como ocorre geralmente com a Educação Tradicional - mas também na aplicação dessas informações como forma de mudança de comportamentos e atitudes em relação aos problemas ambientais. E quem já aprendeu - o Educador Ambiental - pode partilhar com quem apenas inicia esta jornada - os alunos - que serão transmissores desses conhecimentos aos seus pais, vizinhos, amigos, enfim, como se fosse através de uma corrente, pois, ao contrário do que Paulo Freire decidiu chamar de "Educação Bancária", caracterizada pelo acúmulo de informações "pré-fabricadas" sem conexão com o potencial de "evocação" existente em qualquer aprendizagem, a Educação Ambiental se baseia na premissa de que é na reflexão sobre a ação individual e coletiva em relação ao meio ambiente que se dá o processo de aprendizagem. Ou seja, ela vem da emergência de uma percepção renovada de mundo chamada de holística. Em outras palavras, é uma forma íntegra de ler a realidade e atuar sobre ela através de uma visão de mundo como um todo, não podendo ser reduzida só a um departamento, uma disciplina ou programa específico. Daí a necessidade de ligar ações multi e interdisciplinares à Educação Ambiental - contando com a ajuda de profissionais ligados à área da Educação como também a Biologia, Artes, Ecologia, Geografia, História, Matemática, Português, enfim, todos aqueles que trabalham como professores das disciplinas básicas nas escolas de primeiro e segundo graus, sendo disseminadores desses conhecimentos que serão inseridos na vida cotidiana de todos os indivíduos.

A Educação Ambiental é uma proposta de filosofia de vida que resgata valores éticos, estéticos, democráticos e humanistas. Ela parte de um princípio de respeito pela diversidade natural e cultural, que inclui a especificidade de classe, etnia e gênero, defendendo, também, a descentralização em todos os níveis e a distribuição social do poder, como o acesso à informação e ao conhecimento. A Educação Ambiental visa modificar as relações entre a sociedade e a Natureza, a fim de melhorar a qualidade de vida, propondo a transformação do sistema produtivo e do consumismo em uma sociedade baseada na solidariedade, afetividade e cooperação, ou seja, visando a justa distribuição de seus recursos entre todos.

Para viver nosso cotidiano de maneira mais coerente com os ideais de uma sociedade sustentável e democrática, é necessária uma educação que repense velhas fórmulas de vida, propondo ações concretas para transformar nossa casa, rua, bairro, enfim, comunidades, sejam elas no campo ou na cidade, na fábrica, na escola ou no escritório.

* Título modificado pelo blog por acharmos que serve para todos os níveis de escolaridade. O título original é: TEXTO BÁSICO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA PRIMEIRO E SEGUNDO GRAUS

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Educação ambiental da boca pra fora!

                                                                                                      Por Bruno Toribio Xavier


      Educação ambiental não é para quem quer. Falar e fazer educação ambiental requer mais do que uma formação específica, requer sensibilidade com os elementos que constituem a BIODIVERSIDADE, inclusive o homem. Associar degradação ambiental com altas taxas de natalidade das mulheres nordestinas soa como ignorância e indelicadeza sem tamanho.

      E o que dizer de alguém que sugere PRESERVAR incondicionalmenente a BIODIVERSIDADE? É no mínimo chocante.

     A Agroecologia contribui muito para que estas falácias sejam desmontadas e traduzidas para uma aplicação prática diária de cada agricultor e agricultora. 

      Precisamos de uma Educação Ambiental integradora e não segregadora, ou seja, uma disciplina que pense o ambiente e nossa intervenção nele como um processo indissociável. Esta é uma prática que deve acontecer desde já, nas salas de aula ou no campo, mas sempre buscando a integração dos processos e minimização de  impactos.

MANEJO ECOLÓGICO DE SOLOS NA AGRICULTURA FAMILIAR

Por Luciana de Moura Gonzaga              

            Na propriedade rural de Evandir Bierman foi desenvolvida no período de 2001 a 2004, uma pesquisa de campo pela ASTRF e FUNDACEP, localizada no município de Pirapó/RS. O objetivo deste trabalho foi a implantação de um sistema agroecológico na propriedade utilizando culturas alternativas com sistema de plantio direto, rotação de culturas, uso de equipamentos à tração animal e humana, e consequentemente um manejo ecológico do solo.

            Foram definidos conjuntamente com o agricultor todas as tomadas de decisões como cultivo e adaptações dos equipamentos, época e aplicação dos insumos, aonde através de trocas de experiências se chegava a uma decisão.

            Foram feitos sistemas de rotação de cultura e sistema testemunha. No sistema rotação, intercalaram-se as culturas de inverno/verão, conforme a sequência a seguir: aveia cobertura, crotalári júncea, trigo, soja, aveia e nabo, e milho. Já no sistema testemunha, utilizou-se o sistema tradicional, com as seguintes culturas: pousio, milho, aveia pastejo e soja. Os insumos utilizados foram esterco de aves, uréia natural e supermagro.

            O desenvolvimento das culturas no início do trabalho foi muito difícil pelo estado de degradação que o solo apresentava e a ocorrência da estiagem. Encontrou-se dificuldades em desenvolver as culturas de cobertura, principalmente aveia e nabo, provocando consequentemente um desenvolvimento deficitário do milho. Porém a cultura da crotalária juncia surpreendeu com uma excelente produção de massa verde, demonstrando ser uma ferramenta eficaz no controle de plantas espontâneas além do potencial de produzir sementes. A crotalária possibilitou também uma produção satisfatória do trigo.

            Os sistemas de rotação com pouco revolvimento do solo possibilitou culturas viçosas e sadias pela permanência de cobertura do solo (adubação verde), proporcionando a reciclagem dos nutrientes. Esses sistemas permitem um aumento na fertilidade do solo em virtude da melhoria na estrutura do mesmo, dificultando a permanência de plantas espontâneas.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Agroecologia e qualidade do ar


Por Clayton Fernandes dos Reis; Daiana Aparecida Gomes Costa; Daniel Rodrigues Gomes; Fernanda Ferraz Santiago; Flávia Lopes Resende; Geraldo Evangleho de Melo; Juliana da Silva Teixeira; Kelly Muscardi da Rocha; Leandro Martins Coelho; Patrícia do Carmo Guelber; Paulo Lopes do Carmo; Thaís Costa Bernardino.; Walter Soares e Wanderson da Silva Souza.

Os agricultores que não utilizam venenos (agrotóxicos) em suas plantações, e que utilizam somente produtos orgânicos, obtem alimentos e plantas mais saudáveis, causando um menor impacto à nossa saúde e ao ambiente em que vivemos. Estes agricultores praticam uma agricultura sustentável, desse modo evita-se a poluição do ar e contaminação do planeta.

 Muitos agricultores para manejar suas terras, fazem queimadas liberando muito gás carbônico, um gás muito poluente e prejudicial à saúde, além de ser o principal colaborador do aquecimento global, sua emissão altera a camada que protege o planeta.

O sistema agroflorestal é uma interação entre o plantio, como o do café ou plantio de pasto associado com outros tipos de plantas como as árvores, portanto ele ajuda a captar o dióxido de carbono da atmosfera e libera oxigênio além de criar um microclima mais ameno para os animais, além de aumentar a biodiversidade, construindo um corredor ecológico entre uma mata e outra.
As plantas têm muita importância na questão da qualidade do ar, pois elas funcionam como filtro, purificando o ar, quanto maior a quantidade de árvores mais oxigênio temos sendo liberado na atmosfera. A poluição atmosférica refere-se a mudanças da atmosfera susceptíveis de causar impacto a nível ambiental ou de saúde humana, através da contaminação por gases, partículas sólidas, liquidas em suspensão, material biológico ou energia.

 A adição dos contaminantes (agrotóxicos) pode provocar danos diretamente na saúde humana ou no ecossistema, podendo estes danos ser causados diretamente pelos contaminantes, ou por elementos resultantes dos mesmos. Esta poluição causa ainda mais impactos no campo ambiental, tendo ação direta no aquecimento global, sendo responsável por degradação de ecossistemas e potenciadora de chuvas ácidas.

Na Zona da Mata Mineira, existem muitas famílias que praticam a agricultura de modo sustentável e que são contra o uso dos agrotóxicos na produção de seus alimentos e frutos. Nestas propriedades vive-se uma experiência agricultura familiar baseada na agroecologia, produzindo alimentos e frutos livres de agrotóxicos, mostrando que se a pessoa quiser ela consegue, pois podemos ver que com esforço e trabalho duro dessas famílias, consegue-se aumentar a produção.
O manejo adequado do solo e a preservação das matas são muito importantes para que se possa produzir sempre e cada vez mais produtos de ótima qualidade e livres de substâncias poluidoras, além de aumentar a renda familiar.

Muitas famílias mudam de lugar devido a vários conflitos. Na maioria dos casos, seus componentes trabalhavam como empregados em fazendas, nas quais o uso dos agrotóxicos era muito incentivado. O que acontece é que as pessoas percebem com o tempo o quanto o uso desses venenos é prejudicial e com o passar do tempo se negam a usar, o que gera um descontentamento dos patrões. Sendo assim, estas famílias resolvem ir para a cidade grande (centros urbanos), mas não se adaptam bem e acabam voltando para as lavouras só que agora dispostos a trabalharem muito para obterem uma boa safra e comprar a tão sonhada “terra”.

O planeta esta sofrendo muito nesses últimos tempos por causa do desrespeito do ser humano, e o problema é que mesmo com todos esses fatos causados pelo aquecimento global as pessoas continuam agindo errado. O ambiente está em crise, e todo mundo sabe disso. O Aquecimento global está aí para avisar e alertar as pessoas de um futuro incerto. A poluição é o maior agravante das conseqüências ruins que podem vir com o passar do tempo. Por isso, medidas devem ser tomadas o mais urgente possível. Mesmo se todos os seres humanos pararem de poluir, ou fazer as coisas que prejudicam o ambiente, hoje, ainda haverá conseqüências graves. 

O que se indica é amenizar os atos ruins, como a poluição, o desmatamento, o uso prejudicial dos agrotóxicos, e o uso indevido de recursos naturais. Os únicos que podem tentar salvar o planeta somos nós mesmos, e se cada um fizer a sua parte, o meio ambiente pode caminhar até um mundo melhor.

domingo, 22 de maio de 2011

Opinião



ILPF + S!

Por Bruno Toribio Xavier


Surge mais uma tecnologia que promete potencializar a pecuária leiteira na Zona da Mata Mineira, a Integração Lavoura Pecuária Floresta. De fato é mesmo uma tecnologia promissora, que tem devolvido ao produtor rural o direito de sonhar com uma produção bem mais remunerada, uma vez que, com a devida orientação técnica tem-se a possibilidade de organizar sua propriedade e suas operações agrícolas, visando um lucro maior e por que não dizer a conservação dos recursos naturais. Com a participação da Embrapa Gado de Leite, estes produtores rurais estão cada vez mais imbuindo-se da idéia que precisam tornam-se Empresários do Setor Agropecuário.

Tudo isso estaria perfeito se a base desta tecnologia não preconizasse em demasia, na nossa opinião, uma elevada dependência de insumos externos a propriedade, a saber: herbicidas, adubos químicos e mudas de espécies exóticas (na maioria dos casos eucalipto), sendo estas últimas componentes do F da sigla ILPF, ou seja, floresta.

O aumento da produtividade das propriedades tem sido observado com a adoção desta tecnologia, mas poderia ser também um aumento na sustentabilidade desses agroecossistemas. A substituição dos herbicidas para o manejo das plantas espontâneas, o cultivo de espécies nativas no lugar do eucalipto e a adoção da homeopatia para controle dos carrapatos nos animais são algumas das sugestões que incorporariam o S de sustentabilidade na sigla desta tecnologia. 

Pensar em sustentabilidade no desenvolvimento das atividades agropecuárias é mais do que uma necessidade. Da forma atual, a ILPF não é uma tecnologia ruim, apenas, em nossa opinião, precisa ter incorporadas em suas práticas, formas de diversificar ainda mais a propriedade para alcançar a pretensa sustentabilidade. Saldo positivo mesmo só na proteção do recurso natural solo e quando os Empresários pensam na qualidade do leite ao substituir os antibióticos e carrapaticidas pelos preparados homeopáticos.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Abertas inscrições para o mestrado em Agroecologia na UFV

19/05/2011 - Abertas inscrições para o mestrado em Agroecologia na UFV
Estão abertas, até o dia 10 de junho, as inscrições para o processo seletivo do segundo semestre de 2011 do recém-criado Programa de Pós-Graduação em Agroecologia da Universidade Federal de Viçosa. O curso é oferecido em nível de Mestrado e iniciará suas atividades com conceito 4 da CAPES. As atividades do Programa terão início em agosto de 2011.

O Programa de Pós-Graduação em Agroecologia possui uma Área de Concentração (Agroecologia) e três Linhas de Pesquisa:

Manejo de agroecossistemas tropicais

Sistemas agroalimentares de agricultores familiares

Recursos em agroecossistemas e entorno

Mais informações no site: https://sites.google.com/site/posgraduacaoagroecologiaufv/linhas-de-pesquisa

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A tragédia de Santa Catarina: obra divina ou ação humana?

  Por Maurício Novaes Souza
               
               No Estado de Santa Catarina aconteceu no mês passado o maior desastre ambiental da natureza que atingiu a sociedade brasileira neste século. As notícias sobre os episódios relatam um nível de precipitação pluviométrica acima da média histórica, os deslizamentos de encostas, o extravasamento dos rios do seu leito natural, a destruição de estradas, o soterramento e a inundação de cidades e fazendas, perdas humanas e materiais com prejuízos de centenas de milhões de reais. Comovida, a população de vários estados se mobilizou no sentido de levar ajuda e apoio às vítimas. 
Após o incidente, tentam procurar quem são os culpados: a natureza e suas mudanças climáticas ou o homem? Na verdade, o desmatamento da Mata Atlântica e a sua ocupação de forma irregular contribuíram para a tragédia geológica que, em função das chuvas em proporções jamais vistas, abateu-se sobre a população de várias cidades de Santa Catarina. Na verdade, tanto nesse local, como na maioria das cidades e regiões brasileiras, inclusive na Zona da Mata Mineira, as áreas de matas vêm sendo substituídas por áreas urbanizadas que impermeabilizam o solo e impedem a infiltração de água; e por vegetação rasteira, como as pastagens, que em sua maioria se encontram degradadas, ambos contribuindo para a aceleração dos processos erosivos. Dessa forma, deslizamentos de terra inevitavelmente irão ocorrer, sendo apenas uma questão de tempo. No caso de Santa Catarina, as fortes chuvas desses dois meses, apenas aceleraram o processo.
Considerando a região de Mata Atlântica, na época do descobrimento a floresta cobria uma área de aproximadamente 1,29 milhão de quilômetros quadrados, em 17 estados brasileiros, incluindo Santa Catarina. O Bioma ocupava cerca de 15% do território nacional. Atualmente, apenas 6,90% desse total permanecem relativamente protegidos em áreas de preservação permanente, de reserva legal ou em Unidades de Conservação.
O desmatamento da Mata Atlântica está diretamente ligado à expansão das cidades brasileiras, onde a sua ocupação tem sido sempre realizada de forma desordenada: outro fator que pode explicar a catástrofe na região do Vale do rio Itajaí. Tais fatos ocorrem sempre com a histórica, acomodada, omissa e conivência dos agentes sociais públicos e privados, que a poderiam ter evitado. No caso do Vale do Itajaí, SC, que foi a região mais afetada, as primeiras residências na região surgiram em meados do Século XIX, com a chegada dos europeus, que se instalaram próximos aos rios e, no Século XX, passaram a ocupar os morros e as encostas. Tal fato se repetiu no Rio de Janeiro, em Vitória, em Ubá, ou seja, total ausência de planejamento municipal. O poder público só começa a se preocupar quando não existem mais alternativas viáveis, em face ao crescimento populacional e expansão urbana; ou fazem planos emergenciais e promessas, em caso de grandes tragédias, como esta de Santa Catarina.
A solução definitiva está na retirada das pessoas dessas áreas de encostas e margens de rios ocupadas irregularmente, transferindo-as para locais seguros. A questão do planejamento urbano é muito séria, principalmente quando se consideram as questões sociais, ou melhor, o caos social vislumbrados nas cidades de médio e grande porte. Onde se enquadram os movimentos ambientais nesse cenário? E o Ministério Público e do Meio Ambiente? São milhares de pessoas e de funcionários de alta competência, carros preparados para enfrentar florestas e áreas alagadas, recursos tecnológicos, mas que nesses momentos pouco resolvem. Toda a questão está na prevenção e na gestão. Infelizmente, sabemos que muitos outros trágicos eventos como estes surgirão e comoverão a população: será que são necessárias novas ocorrências para que as autoridades tomem as medidas necessárias?
Enfim, mesmo considerando a influência do componente natural que ocorre nessa época do ano, suas conseqüências mais graves poderiam ser evitadas com as modernas técnicas de previsão meteorológica. A diferença dos eventos ocorridos neste ano se deve à intensidade do fenômeno climático, com gravidade superior aos eventos anteriores. A degradação da natureza atua em sinergia negativa com o desmatamento e a poluição do ar, dos rios e dos oceanos, afetando os ciclos biogeoquímicos da água e do carbono. Assim, as mudanças das classes de uso do solo e as mudanças climáticas magnificam tais impactos. Há de se considerar que Santa Catarina é o estado campeão na destruição do Bioma mais destruído do País – a Mata Atlântica.
               O fato que se deu foi extremamente triste, não apenas para a população diretamente afetada, mas para toda a população brasileira. A lição que se devem extrair destes fenômenos é que eles não são apenas naturais. O ser humano deve olhar para si mesmo e questionar as práticas baseadas nas ações irracionais de destruição das encostas e agressão aos ecossistemas aquáticos, com a construção de rodovias, avenidas marginais, prédios de apartamentos, condomínios de luxo ou populares e “shoppings” comerciais. Estas ações causam desastres irreparáveis, inclusive ceifando vidas humanas. Devemos refletir sobre a necessidade urgente de abandono às concepções anacrônicas ligadas à produção e ao consumo, adotando a sustentabilidade sócio-ambiental nas ações públicas e privadas, em todos os níveis, do local ao global. Essas são as propostas do modelo guiado pelos princípios do “Desenvolvimento Sustentável”.

* Engenheiro Agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas, Economia e Gestão Ambiental e Doutor em Engenharia de Água e Solo pela UFV. É professor do CEFET - Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente, EAD em Gestão Ambiental e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É consultor do IBAMA e Conselheiro do COPAM da Zona da Mata, MG. E-mail: mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Opinião Agroecológica

Conservação da vida no solo

Por Renata Bonfá Benevenuto

            A conservação do solo, nada mais é do que cuidar do solo de maneira com que este possa ser aproveitado, utilizado e manejado de uma forma menos agressiva possível. Para isso, não é necessário apenas saber utilizar as práticas de conservação, é importante também, que se tenha conhecimento dos processos que caracterizam um solo sadio e em um solo não sadio.

            A vida no solo é bem diversificada, o que nos dá a segurança de afirmar que o solo é um organismo vivo. Uma parte dos animaizinhos que habitam o solo, e que o fazem ser vivo, é chamada de microrganismos. Existem também seres que compreendem organismos grandes, pequenos e muito pequenos e eles sobrevivem de raízes e restos vegetais e animais que se encontram em processos de decomposição.

            Esses microrganismos são muito importantes para a vida e saúde do solo e das plantas. Algumas práticas utilizadas por muitos produtores, dentro da agricultura convencional, causam a morte dos solos, levando a ocorrência nestas áreas de processos erosivos de diferentes graus. Alguns exemplos de processos que podem levar a processos erosivos são: utilização de agrotóxicos, capinas periódicas profundas, queimadas, retirada de coberturas vivas e materiais orgânicos, pisoteio constante de animais, etc., tudo isso contribui para uma alta mortalidade de vida no solo e um enorme desgaste deste recurso natural que leva a sérias conseqüências.

            É importante manter a vida do solo, fazendo com que as práticas de conservação adotadas sejam apenas de prevenção e não de correção de processos mais complexos de degradação.

            Para que essa vida do solo permaneça sempre em bom estado, é necessário que haja a conservação da matéria orgânica presente no solo, realização de roçada ao invés de capinas, além de deixar o solo sempre com diversidade de plantas e cobertura vegetal.

            Com simples cuidados, a vida do solo pode ser conservada, e tudo o que necessita e sobrevive dele terá bons resultados.


Para citar este artigo:


BENEVENUTO, R. B. Conservação da Vida no Solo. Disponível em:< http://praticasconservacionistas.blogspot.com/2011/05/opiniaoagroecologica.html>. Acesso em 16 de mai. 2011.

Monitora da Disciplina

Meu nome é Renata, estou cursando o 5º período do Bacharelado em Agroecologia. Fui monitora por dois semestres consecutivos no setor de Agricultura trabalhando no Preparo e Utilização de Caldas e Biofertilizantes. Além do Bacharelado em Agroecologia, estou cursando o 2º ano do curso Terapeuta Homeopata pela UFV.

Estou a disposição para eventuais dúvidas e sugestões.